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O empresariado como agente de fortalecimento da democracia

26 de março de 2021


Andréa Gozetto

 

As entidades sindicais são extremamente relevantes para o empresariado, pois constituem-se em um espaço privilegiado de articulação e defesa de interesses setoriais. Sua principal função é representar o empresariado junto às diversas esferas de decisão estatal. Representar não é um ato político partidário. Ao contrário, representar significa construir um relacionamento sólido e contínuo com todas as partes interessadas (stakeholders), com vistas a defender os interesses das empresas associadas. Isso quer dizer que, uma entidade sindical precisa se relacionar institucionalmente com membros do poder público alocados nos três poderes (Poder Executivo, Legislativo e Judiciário) respeitando as devidas esferas de competência (municipal, estadual e federal), outras entidades sindicais – sejam elas patronais ou laborais, organizações da sociedade civil, etc.

 

Atualmente, as entidades sindicais vivem a dificuldade de captar e reter empresas associadas, haja vista os problemas relacionados a gestão e a diminuição da participação do empresário nas discussões acerca das políticas públicas.

 

Esse quadro nos leva a discutir com mais atenção as noções de representação e representatividade. Enquanto a noção de representação está relacionada ao registro sindical emitido pela Secretaria do Trabalho (Ministério da Economia), representatividade refere-se à proporção entre empresas representadas e quantas destas estão associadas à entidade sindical. Ser representativo é essencial para que a entidade sindical obtenha a legitimidade necessária para falar em nome do setor que representa, ser ouvida e, sobretudo ser levada em consideração pelos tomadores de decisão. Assim, as entidades sindicais só são capazes de gerar valor às empresas associadas quando possui representatividade.

 

A profunda crise que enfrentamos hoje requer que as entidades sindicais vão além das negociações de acordo salarial com o sindicato laboral, da prestação de serviços e do oferecimento de produtos às empresas associadas. Nunca foi tão necessário que o empresariado fortaleça a sua voz e exerça a atividade de representação na esfera pública, para viabilização de melhores condições de negócio, ou seja, racionalização de impostos, mudanças na legislação específica, proteção do mercado, etc. Desde a redemocratização e a Constituição de 1988 há um novo panorama para as entidades sindicais. Seu papel, antes vinculado e dependente do Estado, mudou. Não há mais espaço para dependência ou para fragmentação. Pensar um projeto de desenvolvimento econômico-social para o Brasil é urgente e o empresariado é um importante agente de mudança. Ao propor e defender um ambiente de negócios favorável, o empresariado não está defendendo apenas os seus interesses. O que se defende é o direito de participar das decisões estatais, exercendo e fortalecendo, assim, a democracia.

 

Diretora Executiva da Gozetto & Associados Consultoria Estratégia. É coordenadora acadêmica do MBA em Relações Governamentais da FGV/IDE. Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp.