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Afinal, o que é Liderança Humanizada?

A moda indica tendências e caminhos que muitos seguem. Nem sempre é algo novo, mas sim algo adaptado ao contexto atual. No mundo corporativo, a moda do momento é a Liderança Humanizada, um termo amplamente difundido. O problema é que, como toda moda, pode se tornar superficial quando adotada sem reflexão. Muitos replicam comportamentos sem compreender seu real significado.

O termo “humanizada” muitas vezes é associado a um ambiente excessivamente positivo, como se ser humano fosse apenas falar coisas agradáveis. Mas liderar de forma humanizada significa liderar para pessoas – e pessoas são complexas. Lidar com o humano exige humanidade. Não se trata de adotar uma postura frágil, mas de ter coragem para enfrentar situações difíceis e conversas desafiadoras.

O exagero dessa “moda” leva à romantização das relações no trabalho, como no caso da vulnerabilidade. A ideia de que sempre é necessário demonstrar fragilidade para criar conexão pode ser perigosa se mal interpretada. Liderança não é lugar para fragilidade emocional. Um líder precisa de firmeza, clareza e respeito para lidar com seu time de forma estratégica. Quem teme dizer o necessário, por receio da reação das pessoas, acaba priorizando uma harmonia aparente em detrimento do desenvolvimento real.

Isso não é liderança humanizada – é o oposto. Quando não somos francos, tiramos das pessoas a chance de crescerem. A verdadeira liderança humanizada se constrói com respeito genuíno, tratando adultos como adultos. Acolhe, mas também se posiciona. Tem empatia, mas entende que se colocar no lugar do outro exige voltar ao seu próprio lugar e exercer seu papel com responsabilidade.

É uma liderança que não evita apontar resultados negativos, encara metas não atingidas com transparência e transforma feedback em rotina, olho no olho. Também demite quando necessário, mas com respeito e sem efeito surpresa. O encerramento de um ciclo já foi previamente sinalizado, com maturidade e clareza.

Lidar com pessoas exige dois elementos fundamentais:

  1. Firmeza: Liderança não é “Minancora”, que resolve o problema de todos. Tampouco é um estilo “fofinho” que ignora dificuldades. Deixar de dizer o necessário, omitir expectativas ou evitar apontar melhorias é um desrespeito. O líder verdadeiro fala o que, muitas vezes, as pessoas não querem ouvir.
  2. Elegância: Ser firme não significa ser rude. Há inúmeras formas de apontar algo negativo, e a abordagem respeitosa é essencial. Elegância não é suavidade ou passividade, mas inteligência emocional, respeito e assertividade. Ser firme com elegância é dizer o necessário com clareza e humanidade.

Por fim, liderar de forma humanizada, embora esteja na moda, tem raízes em uma sabedoria ancestral: “Trate os outros como gostaria de ser tratado.” Essa é, talvez, a definição mais poderosa de todas – e não se trata de uma moda passageira.

 

Danilo Olegario & Raquel Olegario – Consultores de Negócios da Rhoer

 

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